Raciocínios Lógicos Dedutivos e Indutivos – Paulo Roberto Margutti.

1.8 Divisão da Lógica[1]

 

Já sabemos que o objeto de estudo da Lógica são as inferências expressas por argumentos demonstrativos. Ora, estes últimos podem ser reproduzidos a dois tipos fundamentais.

O primeiro deles é aquele em que, a partir de uma sentença mais geral, chegamos a outra menos geral, cujo conteúdo está de algum modo contido na primeira. É o caso, por exemplo, do argument0 acima, que, partindo da afirmação de que todos os insetos são hexápodes conclui serem as abelhas também hexápodes:

Todo inseto é hexápode.

Toda abelha é inseto.

Logo, toda abelha é hexápode.

Nele, a sentença

Todo inseto é hexápode

é mais geral do que

Toda abelha é hexápode,

pois os insetos incluem as abelhas. Este tipo de argumento realiza que denominamos ‘dedução’. Esta palavra vem do latim ‘de-ducere’, que significa ‘conduzir a partir de’. Assim, a inferência que ele expressa parte de uma sentença mais geral e nos conduz a uma outra menos geral. A força desta inferência é coercitiva, no sentido de que, se aceitamos o antecedente do argumento, deveremos obrigatoriamente aceitar também o seu consequente. Quando realizamos uma inferência dedutiva, temos certeza da conclusão que chegamos.

O segundo tipo de argumento demonstrativo é aquele em que, estando de posse de enumerações de indivíduos ou de qualidades, chegamos a uma sentença que de algum modo engloba esta enumeração. É o caso, por exemplo, do argumento que diz:

Este animalzinho, e este, e mais este… é hexópode.   <-  sentença enumerativa.

Este animalzinho, e este, e mais este… é inseto.  <-  sentença enumerativa.

Logo, todo inseto é hexópode.  <-  sentença englobante.

Estamos realizando aqui o que se chama ‘indução’. Da mesma forma que, no caso anterior, a etimologia da palavra nos explica muito seu sentido: ‘indução’ vem do latim ‘in-ducere’, que significa ‘conduzir para’. Desta maneira, partindo de duas sentenças que contêm enumerações de indivíduos, somos conduzidos para uma sentença que tenta englobar toda informação contida nelas. A diferença marcante entre indução e dedução está em que a inferência indutiva não oferece o mesmo tipo de certeza que a dedutiva. Em comparação com esta última, a primeira é apenas provável. Na indução, não temos certeza da conclusão obtida. Com efeito, ela envolve conceitos e enumerações de indivíduos, que são coisas heterogêneas. Assim, não podemos garantir com segurança que o conceito utilizado para subsumir a nossa enumeração é o mais adequado. No exemplo citado, a sentença enumerativa

Este animalzinho, e este, e mais este… é inseto

tenta subsumir os indivíduos enumerados no conceito de inseto. Que garantia temos, porém, de que esta subsunção é a mais correta? Talvez o conceito mais adequado fosse, por exemplo, ‘abelha’ e não ‘inseto’. Portanto, o argumento indutivo não é tão seguro quanto o dedutivo. A inferência que ele expressa é apenas plausível.

 


[1] PINTO, Paulo Roberto Margutti. Introdução à Lógica Simbólica. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2001.

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