Aristóteles e a Ética – Álvaro Valls.

Aristóteles e a Ética.

Álvaro Valls*.

Aristóteles (384-322 a.C.), além de um grande pensador especulativo e profundo psicólogo, levava muito a sério (e mais do que Platão) a observação empírica. Assim, enquanto Platão desenvolvia sua especulação mais teórica, Aristóteles colecionava depoimentos sobre avida das pessoas e das diferentes cidades gregas. Isto não quer dizer que ele fosse um empirista sem capacidade especulativa, mas mostra o seu esforço analítico e políticas de cidades gregas.Seus livros explicitamente sobre questões de ética são a Ética a Eudemo e a Ética a Nicômaco, mas ele escreveu também uma  Magna Moral e um pequeno tratado sobre as virtudes e os vícios. Ele também parte da correlacão entre o Ser e o Bem. Mais do que Platão, porém, insiste sobre a variedade dos seres, e daí conclui que os bens (no plural em Aristóteles) também devem necessariamente variar.Pois para cada ser deve haver um bem, conforme a natureza ou a essência do respectivo ser. De acordo com a respectiva natureza estará o seu bem,ou o que é bom para ele. Cada substância tem o seu ser e busca o seu bem:há um bem para o deus, um para o homem, um para a planta, etc. Quanto mais complexo for o ser, mais complexo será também o respectivo bem.Assim, a questão platônica do Sumo Bem dá lugar, em Aristóteles, à pesquisa sobre os bens em concreto para o homem.É neste sentido que podemos dizer que a ética aristotélica é finalista e eudemonista, quer dizer, marcada pelos  fins que devem ser alcançados para que o homem atinja a felicidade (eudaimonía).

Mas em que consiste o bem ou a felicidade para o homem? Qual o maior dos bens? Ora, Aristóteles não isola muito um bem supremo, pois ele sabe que o homem, como um ser complexo, não precisa apenas do melhor dos bens, mas sim de vários bens, de tipos diferentes, tais como amizade, saúde e comparativo, quando ele se punha a comparar, por exemplo, mais de uma centena de constituições até alguma riqueza. Sem um certo conjunto de tais bens, não há felicidade humana. Mas é claro que há uma certa escala de bens, pois os bens são de várias classes, e uns melhores do que outros.Quais os melhores bens? As virtudes, a força, o poder, a riqueza, a beleza, a saúde ou os prazeres sensíveis?A resposta de Aristóteles parte do fato de que o homem tem o seu ser no viver, no sentir e na razão.

Ora, é esta última que caracteriza especificamente o homem. Ele não pode apenas viver  (e para isso os gregos consideravam fundamental uma boa respiração como base da saúde), mas ele precisa viver racionalmente, isto é, viver de acordo com a razão. A razão, para não se deixar ela mesma desordenar, precisa da virtude,da vida virtuosa. Qual seria, então, a virtude mais alta, ainda que não a única necessária? O bem próprio do homem é a vida teórica ou teorética,dedicada ao estudo e à contemplação, a vida da inteligência.

 

*Texto extraído do livro: O quê é Ética da Coleção Primeiros Passos.

Link para o livro completo:

http://pt.scribd.com/doc/130854881/Alvaro-Valls-O-que-e-Etica

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s