1914 – UM SÓ OU VÁRIOS LOBOS? – GILLES DELEUZE E FÉLIX GUATTARI

1914 – Um só ou vários lobos?
Gilles Deleuze e Félix Guattari*

 

Naquele dia o Homem dos lobos saiu do divã particularmente cansado. Ele sabia que Freud tinha o talento de tangenciar a verdade, passando ao lado, para, depois, preencher o vazio com associações. Ele sabia que Freud não conhecia nada sobre lobos nem tampouco sobre ânus. Freud compreendia somente o que era um cachorro e a cauda de um cachorro. Isso não bastava, não bastaria. O Homem dos lobos sabia que Freud o declararia logo curado, mas que de fato ele não estava, e que ele continuaria a ser tratado eternamente por Ruth, por Lacan, por Leclaire. Ele sabia, enfim, que estava em vias de adquirir um verdadeiro nome próprio, Homem dos lobos, bem mais adequado que o seu, posto que ele acedia à mais alta singularidade na apreensão instantânea de uma multiplicidade genérica: os lobos — mas que este novo, este verdadeiro nome próprio ia ser desfigurado, mal ortografado, retranscrito em patronímico.

 

No entanto, Freud, por sua vez, iria logo escrever algumas páginas extraordinárias. Páginas eminentemente práticas, no artigo de 1915 sobre “O inconsciente”, concernindo à diferença entre neurose e psicose. Freud diz que um histérico ou um obsessivo são pessoas capazes de comparar globalmente uma meia a uma vagina, uma cicatriz à castração etc. Sem dúvida, é ao mesmo tempo que eles apreendem o objeto como global e como perdido. Mas apreender eroticamente a pele como uma multiplicidade de poros, de pontinhos, de pequenas cicatrizes ou de buraquinhos, apreender eroticamente a meia como uma multiplicidade de malhas, eis o que não viria à cabeça de um neurótico, enquanto que o psicótico é disto capaz: “acreditamos que a multiplicidade das pequenas cavidades impediria o neurótico de utilizá-las como substitutos dos órgãos genitais femininos”. Comparar uma meia a uma vagina, ainda passa, isto é feito todos os dias, mas um puro conjunto de malhas a um campo de vaginas, só mesmo sendo louco: é isto que diz Freud. Há nisto uma descoberta clínica muito importante, que faz toda diferença de estilo entre a neurose e a psicose. Por exemplo, quando Salvador Dali se esforça para reproduzir delírios, ele pode falar longamente sobre o chifre de rinoceronte, mas não abandona nunca um discurso neuropata. No entanto, quando se põe a comparar eriçamento da pele a um campo de minúsculos chifres de rinoceronte, sente-se bem que a atmosfera muda e que se entra na loucura. Trata-se ainda de uma comparação? É, antes, uma pura multiplicidade que muda de elementos ou que devêm. No nível micrológico, as pequenas erupções “tornam-se” chifres e, os chifres, pequenos pênis.

 

Tão logo descobria a maior arte do inconsciente, a arte das multiplicidades moleculares, Freud já retornava às unidades molares, e reencontrava seus temas familiares, o pai, o pênis, a vagina, a castração… etc. (Na iminência de descobrir um rizoma, Freud retorna sempre às simples raízes.) O procedimento de redução é muito interessante no artigo de 1915: ele diz que o neurótico guia suas comparações ou identificações com base em representações de coisas, enquanto que o psicótico tem somente a representação de palavras (por exemplo a palavra buraco). “É a identidade da expressão verbal e não a similitude dos objetos que ditou a escolha do substituto”. Assim, quando não existe unidade da coisa, há pelo menos unidade e identidade da palavra. Pode-se observar que as palavras são tomadas aqui num uso extensivo, quer dizer, funcionam como nomes comuns que asseguram a unificação de um conjunto que elas subsumem. O nome próprio só vem a ser um caso extremo de nome comum, compreendendo nele mesmo sua multiplicidade já domesticada e relacionando-a a um ser ou objeto posto como único. O que é comprometido, tanto do lado das palavras quanto das coisas, é a relação do nome próprio como intensidade com a multiplicidade que ele apreende instantaneamente. Para Freud, quando a coisa explode e perde sua identidade, ainda a palavra aí está para reconduzi-la à indentidade ou para inventar-lhe uma. Freud conta com a palavra para restabelecer uma unidade que já não estava nas coisas. Não se assiste aqui ao nascimento de uma aventura ulterior, a do Significante, a instância despótica sorrateira que se põe no lugar dos nomes próprios a-significantes e que também substitui as multiplicidades pela morna unidade de um objeto declarado perdido?

 

Não estamos longe dos lobos, pois o Homem dos lobos é também aquele que em seu segundo episódio, dito psicótico, observará constantemente as variações ou o trajeto movediço dos buraquinhos ou pequenas cicatrizes na pele de seu nariz. Mas no primeiro episódio, que Freud declara neurótico, o Homem dos lobos conta que sonhou com seis ou sete lobos em cima de uma árvore e desenhou apenas cinco. Quem ignora efetivamente que os lobos andam em matilha? Ninguém, exceto Freud. O que qualquer criança sabe, Freud não sabe. Freud pergunta com um falso escrúpulo: como explicar que haja cinco, seis ou sete lobos no sonho? Posto que ele decidiu tratar-se de neurose, Freud emprega então outro procedimento de redução: não mais subjunção verbal no nível da representação de palavra, mas associação livre no nível das representações de coisas. O resultado é o mesmo, pois trata-se sempre de retornar à unidade, à identidade da pessoa ou do objeto supostamente perdido. Eis que os lobos deverão purgar-se de sua multiplicidade. A operação é feita pela associação do sonho com o conto O lobo e os sete cabritinhos (dos quais somente seis foram comidos). Assiste-se ao júbilo redutor de Freud, vê-se literalmente a multiplicidade sair dos lobos para afetar cabritinhos que não têm estritamente nada a ver com a história. Sete lobos que são apenas cabritinhos; seis lobos, posto que o sétimo cabritinho (o Homem dos lobos em pessoa) esconde-se no relógio; cinco lobos, posto que talvez tenha sido às cinco horas que ele viu seus pais fazendo amor e que o algarismo romano V está associado à abertura erótica das pernas femininas, três lobos, posto que os pais fizeram amor três vezes; dois lobos, posto que eram os dois pais more ferarum, ou mesmo dois cães que a criança, antes, teria visto copularem; depois, um lobo, posto que o lobo é o pai, o que já sabia desde o início; finalmente, zero lobo, posto que ele perdeu sua cauda, não menos castrado do que castrador. Zomba-se de quem? Os lobos não tinham qualquer chance de se salvar, de salvar sua matilha: decidiu-se desde o início que os animais podiam servir apenas para representar um coito entre pais, ou, ao contrário, para serem representados por um tal coito. Manifestamente, Freud ignora tudo sobre a fascinação exercida pelos lobos, do que significa o apelo mudo dos lobos, o apelo por devir-lobo. Lobos observam e fixam a criança que sonha; é tão mais tranqüilizador dizer que o sonho produziu uma inversão e que a criança é quem olha cães ou pais fazendo amor. Freud conhece somente o lobo ou o cão edipianizado, o lobo-papai castrado castrador, o cão de casinha, o au-au do psicanalista.

 

Franny ouve uma emissão sobre lobos. Eu lhe digo: gostarias de ser um lobo? Resposta altiva — é idiota, não se pode ser um lobo, mas sempre oito ou dez lobos, seis ou sete lobos. Não seis ou sete lobos ao mesmo tempo, você, sozinho, mas um lobo entre outros, junto com cinco ou seis outros lobos. O que é importante no devir-lobo é a posição de massa e, primeiramente, a posição do próprio sujeito em relação à matilha, em relação à multiplicidade-lobo, a maneira de ele aí entrar ou não, a distância a que ele se mantém, a maneira que ele tem de ligar-se ou não à multiplicidade. Para atenuar a severidade de sua resposta, Franny conta um sonho: “Há o deserto. Não teria ainda qualquer sentido dizer que eu estou no deserto. É uma visão panorâmica do deserto. Este deserto não é trágico nem desabitado, ele é deserto só por sua cor, ocre, e sua luz quente e sem sombra. Aí dentro uma multidão fervilhante, enxame de abelhas, confusão de jogadores de futebol ou grupo de tuaregues. Estou na borda desta multidão, na periferia; mas pertenço a ela, a ela estou ligado por uma extremidade de meu corpo, uma mão ou um pé. Sei que esta periferia é o meu único lugar possível, eu morreria se me deixasse levar ao centro da confusão, mas também, certamente, se eu abandonasse a multidão. Não é fácil conservar minha posição; na verdade é muito difícil mantê-la, porque estes seres não param de se mexer, seus movimentos são imprevisíveis e não correspondem a qualquer ritmo. Às vezes eles giram, às vezes vão em direção ao norte, depois, bruscamente, em direção ao leste e nenhum dos indivíduos que compõem a multidão permanece num mesmo lugar em relação aos outros. Conseqüentemente, encontro-me também permanentemente móvel; tudo isto exige uma grande tensão, mas me dá um sentimento de felicidade violenta, quase vertiginosa”. É um excelente sonho esquizofrênico. Estar inteiramente na multidão e ao mesmo tempo completamente fora, muito longe: borda, passeio à Virgínia Woolf (“nunca mais direi sou isto, sou aquilo”).

 

Problemas de povoamento no inconsciente: tudo o que se passa pelos poros do esquizo, as veias do drogado, formigamentos, fervilhamentos, animações, intensidades, raças e tribos. Seria de Jean Ray, que soube ligar o terror aos fenômenos de micromultiplicidades, este conto no qual a pele branca se eriça em inúmeras erupções e pústulas e cabeças negras anãs passam pelos poros fazendo caretas, abomináveis, que havia necessidade de raspar com uma faca a cada manhã? E também as “alucinações liliputeanas”, com éter. Um, dois, três esquizos: “Em cada poro da pele brotam-me bebês” — “Oh!, quanto a mim não é nos poros, mas nas veias que nascem pequenas barras de ferro” — “Eu não quero que me dêem injeções, salvo com álcool canforado. Senão seios me nascem em cada poro”. Freud tentou abordar os fenômenos de multidão desde o ponto de vista do inconsciente, mas ele não viu bem, não via que o inconsciente era antes de mais nada uma multidão. Ele estava míope e surdo, confundia multidões com uma pessoa. Os esquizos, ao contrário têm o olho e a orelha agudos. Eles não confundem os rumores e as impulsões da multidão com a voz de papai. Jung, certa vez, sonhou com ossos e crânios. Um osso, um crânio, nunca existem sozinhos. O ossuário é uma multiplicidade. Mas Freud quer que isto signifique a morte de alguém. “Jung, surpreso, leva-o a observar que havia vários crânios, não somente um. Mas Freud continuava…2“.

 

Uma multiplicidade de poros, de pontos negros, de pequenas cicatrizes ou de malhas, seios, bebês e barras. Uma multiplicidade de abelhas, de jogadores de futebol ou de tuaregues. Uma multiplicidade de lobos, de chacais… Nada disto se deixa reduzir, mas nos remete a um certo estatuto das formações do inconsciente. Tentemos definir os fatores que intervém aqui: primeiramente, algo que desempenha o papel de corpo pleno — corpo sem órgãos. É o deserto no sonho precedente. É a árvore despojada na qual os lobos estão empoleirados no sonho do Homem dos lobos. É a pele como invólucro ou anel, a meia como superfície reversível. Pode ser uma casa, um cômodo de casa, tantas coisas ainda, qualquer coisa. Ninguém faz amor com amor sem constituir para si, sozinho, com outro ou com outros, um corpo sem órgãos. Um corpo sem órgãos não é um corpo vazio e desprovido de órgãos, mas um corpo sobre o qual o que serve de órgãos (lobos, olhos de lobos, mandíbulas de lobos?) se distribui segundo movimentos de multidões, segundo movimentos brownóides, sob forma de multiplicidades moleculares. O deserto é povoado. Ele se opõe menos aos órgãos do que a uma organização que compõe um organismo com eles. O corpo sem órgãos não é um corpo morto, mas um corpo vivo, e tão vivo e tão fervilhante que ele expulsou o organismo e sua organização. Piolhos saltam na praia do mar. As colônias da pele. O corpo pleno sem órgãos é um corpo povoado de multiplicidades. E o problema do inconsciente, seguramente, nada tem a ver com a geração, mas com o povoamento, com a população. Um caso de população mundial sobre o corpo pleno da terra e não de geração familiar orgânica. “Adoro inventar povoações, tribos, as origens de uma raça… Retorno de minhas tribos. Sou, até o dia de hoje, o filho adotivo de quinze tribos, nem mais nem menos. E estas são minhas tribos adotivas, porque eu amo cada uma mais e melhor do que se eu tivesse nascido nelas”. Dizem-nos: Mas, afinal de contas, o esquizofrênico tem um pai e uma mãe? Lamentamos dizer que não, que ele não os tem como tal. Ele tem somente um deserto e tribos que nele habitam, um corpo pleno e multiplicidades que nele se ligam.

 

Disto ocorre, em segundo lugar, a natureza destas multiplicidades e de seus elementos. O RIZOMA. Uma das características essenciais do sonho de multiplicidade é a de que cada elemento não pára de variar e modificar sua distância em relação aos outros No nariz do Homem dos lobos, os elementos não pararão de dançar, crescer e diminuir, determinados como poros na pele, pequenas cicatrizes nos poros, pequenos sulcos no tecido cicatricial. Ora, essas distâncias variáveis não são quantidades extensivas que se dividiriam uma nas outras, mas são, sobretudo, indivisíveis, “relativamente indivisíveis, isto é, que não se dividem aquém ou além de um certo limiar, não aumentam ou não diminuem sem que seus elementos mudem de natureza. Enxame de abelhas, ei-las, confusão de jogadores de futebol com malhas riscadas, ou, então, bando de tuaregues. Ou ainda: o clã dos lobos é duplicado por um enxame de abelhas contra o bando dos Deulhs, sob a ação de Mowgli que corre pela borda (ah sim, Kipling compreendia melhor do que Freud o apelo dos lobos, seu sentido libidinal; de resto, no Homem dos lobos há também uma história de vespas ou borboletas que vêm revezar com os lobos, passando-se dos lobos às vespas). Mas o que quer dizer isto, estas distâncias indivisíveis que se modificam incessantemente e que não se dividem ou não se modificam sem que seus elementos mudem a cada vez de natureza? Não será já o caráter intensivo dos elementos e de suas relações neste gênero de multiplicidade? Exatamente como uma velocidade e uma temperatura: não se compõem de velocidades ou temperaturas, mas envolvem-se noutras ou envolvem outras que marcam cada vez uma mudança de natureza. É porque estas multiplicidades não têm o princípio de sua matéria num meio homogêneo, mas em outro lugar, nas forças que agem nelas, nos fenômenos físicos que as ocupam, precisamente na libido que as constituem de dentro e que não as constituem sem se dividir em fluxos variáveis e qualitativamente distintos. Freud mesmo reconhece a multiplicidade das correntes” libidinais que coexistem no Homem dos lobos. Espanta-nos mais ainda, por isto, a maneira pela qual ele trata as multiplicidades do inconsciente. Porque, para ele, haverá sempre redução ao Uno: as pequenas cicatrizes, os buraquinhos, serão as subdivisões da grande cicatriz ou do buraco maior chamado castração. Os lobos serão os substitutos de um único e mesmo Pai que se encontra em toda parte, tantas vezes quanto quisermos (como diz Ruth Mack Brunswick, vamos, os lobos, são “todos os pais e os doutores” mas o Homem dos lobos pensa: e meu eu, não é um lobo?).

 

Seria preciso fazer o inverso, seria preciso compreender em intensidade: o Lobo é a matilha, quer dizer, a multiplicidade apreendida como tal em um instante, por sua aproximação e seu distanciamento de zero — distâncias sempre indecomponíveis. O zero é o corpo sem órgãos do Homem dos lobos. Se o inconsciente não conhece negação é porque nada há de negativo no inconsciente, mas aproximações e distanciamentos indefinidos do ponto zero, o qual não exprime de forma alguma a falta, mas a positividade do corpo pleno como suporte e suposto (porque “um afluxo é necessário para tão-somente significar a ausência de intensidade”). Os lobos designam uma intensidade, uma faixa de intensidade, um limiar de intensidade sobre o corpo sem órgãos do Homem dos lobos. Um dentista dizia ao Homem dos lobos “seus dentes cairão, por causa de sua mordida, sua mordida é muito forte” — e, ao mesmo tempo suas gengivas cobriam-se de pústulas e de buraquinhos3. O maxilar como intensidade superior, os dentes como intensidade inferior e as gengivas pustulentas como aproximação de zero. O lobo como apreensão instantânea de uma multiplicidade em tal região não é um representante, um substituto, é um eu sinto. Sinto que me transformo em lobo, lobo entre lobos, margeando lobos, e o grito de angústia, o único que Freud ouve: ajude-me a não tornar-me lobo (ou, a contrário, a não fracassar neste devir). Não se trata de representação: não acreditar que se é um lobo, representar-se como lobo. O lobo, os lobos são intensidades, velocidades, temperaturas, distâncias variáveis indecomponíveis. É um formigamento, uma inflamação. E quem pode acreditar que a máquina anal nada tenha a ver com a máquina dos lobos, ou que os dois estejam somente ligados pelo aparelho edipiano, pela figura demasiado humana do Pai? Porque, enfim, o ânus também exprime uma intensidade, aqui a aproximação de zero da distância que não se decompõe sem que os elementos mudem de natureza. Campo de ânus assim como matilha de lobos. E não é pelo ânus que o menino está ligado aos lobos, à periferia? Descida do maxilar ao ânus. Unir-se aos lobos pelo maxilar e pelo ânus. Um maxilar não é uma mandíbula, não é tão simples, mas maxilar e lobo formam uma multiplicidade que se modifica no olho e lobo, ânus e lobo, segundo outras distâncias, conforme outras velocidades, com outras multiplicidades, nos limites de limiares. Linhas de fuga ou de desterritorialização, devir-lobo, devir-inumano, intensidades desterritorializadas — é isto a multiplicidade. Devir-lobo, devir-buraco, é desterritorializar-se segundo linhas distintas emaranhadas. Um buraco não é mais negativo do que um lobo. A castração, a falta, o substituto, que história contada por um idiota demasiado consciente e que nada compreende a respeito das multiplicidades entendidas como formações do inconsciente. Um lobo, mas também um buraco, são partículas do inconsciente, apenas partículas, produções de partículas, trajetos de partículas, consideradas como elementos de multiplicidades moleculares. Não basta nem mesmo dizer que as partículas intensas e movediças passam por buracos; um buraco é tão partícula quanto o que por ele passa. Os físicos dizem: os buracos não são ausências de partículas, mas partículas que andam mais rápido do que a luz. Ânus voadores, vaginas rápidas, não existe a castração.

 

Voltemos a esta história de multiplicidade, porque foi um momento muito importante quando foi criado tal substantivo, precisamente para escapar da oposição abstrata entre o múltiplo e o uno, para escapar da dialética, para chegar a pensar o múltiplo em estado puro, para deixar de fazer dele o fragmento numérico de uma Unidade ou Totalidade perdidas ou, ao contrário, o elemento orgânico de uma unidade ou totalidade por vir — e, sobretudo, para distinguir tipos de multiplicidade. É assim que se encontra no matemático-físico Riemman a distinção entre multiplicidades discretas e multiplicidades contínuas (sendo que estas últimas encontram o princípio de sua métrica tão-somente nas forças que agem sobre elas). Encontra-se depois em Meinong e em Russel a distinção entre multiplicidades de grandeza ou divisibilidade, extensivas, e multiplicidades de distância, mais próximas do intensivo. Ou ainda, em Bergson, encontra-se a distinção entre multiplicidades numéricas ou extensas e multiplicidades qualitativas e de duração. Nós fazemos aproximadamente a mesma coisa, distinguindo multiplicidades arborescentes e multiplicidades rizomáticas. Macro e micromultiplicidades. De um lado, as multiplicidades extensivas, divisíveis e molares; unificáveis, totalizáveis, organizáveis; conscientes ou pré-conscientes — e, de outro, as multiplicidades libidinais inconscientes, moleculares, intensivas, constituídas de partículas que não se dividem sem mudar de natureza, distâncias que não variam sem entrar em outra multiplicidade, que não param de fazer-se e desfazer-se, comunicando, passando umas nas outras no interior de um limiar, ou além ou aquém. Os elementos destas últimas multiplicidades são partículas; suas correlações são distâncias; seus movimentos são brownóides; sua quantidade são intensidades, são diferenças de intensidade.

 

Existe aí apenas uma base lógica. Elias Canetti distingue dois tipos de multiplicidade que às vezes se opõem e às vezes se penetram: de massa e de matilha. Entre os caracteres de massa, no sentido de Canetti, precisa-se notar a grande quantidade, a divisibilidade e a igualdade dos membros, a concentração, a sociabilidade do conjunto, a unicidade da direção hierárquica, a organização de territorialização, a emissão de signos. Entre os caracteres de matilha, a exigüidade ou a restrição do número, a dispersão, as distâncias variáveis indecomponíveis, as metamorfoses qualitativas, as desigualdades como restos ou ultrapassagens, a impossibilidade de uma totalização ou de uma hierarquização fixas, a variedade browniana das direções, as linhas de desterritorialização, a projeção de partículas 4. Sem dúvida, não existem mais igualdade e nem menos hierarquia nas matilhas do que nas massas, mas elas não são as mesmas. O chefe de matilha ou de bando arrisca a cada vez, ele deve colocar tudo em jogo a cada vez, enquanto que o chefe de grupo ou de massa consolida e capitaliza aquisições. A matilha, mesmo em seus lugares, constitui-se numa linha de fuga ou de desterritorialização que faz parte dela mesma, linha a que ela dá um elevado valor positivo, ao passo que as massas só integram tais linhas para segmentarizá-las, bloqueá-las, afetá-las com um signo negativo.

 

Canetti observa que, na matilha, cada um permanece só, estando no entanto com os outros (por exemplo, os lobos-caçadores); cada um efetua sua própria ação ao mesmo tempo em que participa do bando. “Nas constelações cambiantes da matilha, o indivíduo se manterá sempre em sua periferia.

 

“Ele estará dentro e, logo depois, na borda, na borda e, logo após, dentro. Quando a matilha se põe em círculo ao redor de seu fogo cada um poderá ter vizinhos à direita e à esquerda, mas as costas estão livres, as costas estão expostas à natureza selvagem”. Reconhece-se a posição esquizo, estar na periferia, manter-se ligado por uma mão ou um pé… Opor-se-á a isto a posição paranóica do sujeito de massa, com todas as identificações do indivíduo ao grupo, do grupo ao chefe, do chefe ao grupo; estar bem fundido com a massa, aproximar-se do centro, nunca ficar na periferia, salvo prestando serviço sob comando. Por que supor (com Konrad Lorenz, por exemplo) que os bandos e seu tipo de camaradagem representam um estado mais rudimentar, evolutivamente, do que as sociedades de grupo ou de conjugalidade? Não somente existem bandos humanos, como também, entre eles, alguns particularmente refinados: a “mundanidade” distingue-se da “socialidade” porque está mais próxima de uma matilha, e o homem social tem do mundano uma certa imagem invejosa e errônea, porque desconhece as posições e as hierarquias próprias, as relações de força, as ambições e os projetos bastante especiais. As correlações mundanas jamais recobrem as correlações sociais, não coincidem com estas. Inclusive os “maneirismos” (existem em todos os bandos) pertencem às micromultiplicidades e distinguem-se das maneiras ou costumes sociais. Não se trata, no entanto, de opor os dois tipos de multiplicidades, as máquina molares e moleculares, segundo um dualismo que não seria melhor que o do Uno e do múltiplo. Existem unicamente multiplicidades de multiplicidades que formam um mesmo agenciamento, que se exercem no mesmo agenciamento: as matilhas nas massas e inversamente. As árvores têm linhas rizomáticas, mas o rizoma tem pontos de arborescência. Como não seria necessário um enorme ciclotron para produzir partículas enlouquecidas? Como é que linhas de desterritorialização seriam assinaláveis fora de circuitos de territorialidade? Como supor que o fluir abrupto do minúsculo riacho de uma intensidade nova se faça fora das grandes extensões e em relação com grandes transformações nestas extensões? Quanto esforço para fazer eclodir um novo som? O devir-animal, o devir-molecular, o devir-inumano passam por uma extensão molar, uma hiper-concentração humana, ou as prepara. Impossível separar em Kafka a ereção de uma grande máquina burocrática paranóica e a instalação de pequenas máquinas esquizo de um devir-cão, de um devir-coleóptero. Impossível separar, no Homem dos lobos, o devir-lobo do sonho e a organização religiosa e militar das obsessões. Um militar imita o lobo, um militar imita o cão. Não há duas multiplicidades ou duas máquinas, mas um único e mesmo agenciamento maquínico que produz e distribui o todo, isto é, o conjunto dos enunciados que correspondem ao “complexo”. Sobre tudo isto o que é que a Psicanálise tem a nos dizer? Édipo, nada mais do que Édipo, posto que ela não escuta nada nem ninguém. Ela esmaga tudo, massa e matilhas, máquinas molares e moleculares, multiplicidades de todo tipo. Por exemplo, o segundo sonho do Homem dos lobos, no momento do episódio dito psicótico: numa rua, uma parede, com uma porta fechada e, à esquerda, um armário vazio; o paciente diante do armário e uma mulher grande com uma pequena cicatriz que parece querer contornar a parede; e, atrás da parede, lobos que se empurram contra a porta. Mme. Brunswick, inclusive ela, não consegue enganar-se: por mais que ela se reconheça e identifique com a mulher grande, ela vê bem que os lobos são desta vez Bolcheviques, a massa revolucionária que esvaziou o armário ou confiscou a fortuna do Homem dos lobos. Em estado metastável os lobos passaram para o lado de uma grande máquina social. Mas a Psicanálise não tem nada a dizer sobre todos estes pontos — salvo o que já dizia Freud: tudo isto remete ainda ao papai (vejam, ele era um dos chefes do partido liberal na Rússia, mas isto não tem importância, basta dizer que a revolução “satisfaz o sentimento de culpa do paciente”). Realmente, acreditava-se que a libido, em seus investimentos e seus contra-investimentos, nada tinha a ver com a agitação das massas, os movimentos das matilhas, os signos coletivos e as partículas do desejo.

 

Não basta então atribuir ao pré-consciente as multiplicidades molares ou as máquinas de massa, reservando para o inconsciente um outro gênero de máquinas ou de multiplicidades, porque o que pertence de todo modo ao inconsciente é o agenciamento dos dois, a maneira pela qual as primeiras condicionam as segundas e pela qual as segundas preparam as primeiras, ou delas escapam, ou a elas voltam: a libido tudo engloba. Estar atento a tudo ao mesmo tempo: à maneira pela qual uma máquina social ou uma massa organizada tem um inconsciente molecular que não marca unicamente sua tendência à decomposição, mas componentes atuais de seu próprio exercício e de sua própria organização; à maneira pela qual um indivíduo tal ou qual, tomado numa massa, tem ele mesmo um inconsciente de matilha que não se assemelha necessariamente às matilhas da massa da qual ele faz parte; à maneira pela qual um indivíduo ou uma massa vão viver em seu inconsciente as massas e as matilhas de uma outra massa ou de um outro indivíduo. O que quer dizer amar alguém? É sempre apreendê-lo numa massa, extraí-lo de um grupo, mesmo restrito, do qual ele participa, mesmo que por sua família ou por outra coisa; e depois buscar suas próprias matilhas, as multiplicidades que ele encerra e que são talvez de uma natureza completamente diversa. Ligá-las às minhas, fazê-las penetrar nas minhas e penetrar as suas. Núpcias celestes, multiplicidades de multiplicidades. Não existe amor que não seja um exercício de despersonalização sobre um corpo sem órgãos a ser formado; e é no ponto mais elevado desta despersonalização que alguém pode ser nomeado, recebe seu nome ou seu prenome, adquire a discernibilidade mais intensa na apreensão instantânea dos múltiplos que lhe pertencem e aos quais ele pertence. Multiplicidade de sardas sobre um rosto, multiplicidade de jovens rapazes falando na voz de uma mulher, ninhada de meninas na voz de M. de Charlus, horda de lobos na garganta de alguém, multiplicidade de ânus no ânus, a boca ou o olho sobre o qual a gente se inclina. Cada um passa por tantos corpos em cada um. Albertine é lentamente extraída de um grupo de moças que tem seu número, sua organização, seu código, sua hierarquia; e não somente todo um inconsciente envolve este grupo e esta massa restrita, como Albertine tem suas próprias multiplicidades, que o narrador, tendo-a isolado, descobre sobre seu corpo e em suas mentiras — até o momento no qual o fim do amor a restitui ao indiscernível.

 

Trata-se, sobretudo, de não acreditar que basta distinguir massa e grupos exteriores dos quais alguém participa ou a que pertence e conjuntos internos que ele envolveria em si. A distinção não é absolutamente a do exterior e do interior, sempre relativos e cambiantes, intervertíveis, mas a dos tipos de multiplicidades que coexistem, se penetram e mudam de lugar — máquinas, maquinismos, motores e elementos que intervém em dado momento para formar um agenciamento produtor de enunciado: eu te amo (ou outra coisa). Para Kafka ainda, Felice é inseparável de uma certa máquina social e das máquinas parláfonas cuja firma ele representa; como não pertenceria ela a esta organização, aos olhos de Kafka fascinado por comércio e burocracia? Mas, ao mesmo tempo, os dentes de Felice, os grandes dentes carnívoros, fazem-na correr seguindo outras linhas, nas multiplicidades moleculares de um devir-cão, de um devir-chacal… Felice, inseparável ao mesmo tempo do signo das máquinas sociais modernas, que são as suas e as de Kafka (não as mesmas), e das partículas, das pequenas máquinas moleculares, de todo o estranho devir, do trajeto que Kafka vai fazer e levá-la a fazer através de seu perverso aparelho de escrita.

 

Não existe enunciado individual, mas agenciamentos maquínicos produtores de enunciados. Dizemos que o agenciamento é fundamentalmente libidinal e inconsciente. É ele, o inconsciente em pessoa. Por enquanto vemos aí elementos (ou multiplicidades) de vários tipos: máquinas humanas, sociais e técnicas, molares organizadas; máquinas moleculares, com suas partículas de devir-inumano; aparelhos edipianos (pois sim, claro, existem enunciados edipianos, e muitos); aparelhos contra-edipianos, de marcha e funcionamento variáveis. Veremos mais tarde. Não podemos nem mesmo mais falar de máquinas distintas, mas somente de tipos, de multiplicidades que se penetram e formam em dado momento um único e mesmo agenciamento maquínico, figura sem rosto da libido. Cada um de nós é envolvido num tal agenciamento, reproduz o enunciado quando acredita falar em seu nome, ou antes fala em seu nome quando produz o enunciado. Como estes enunciados são estranhos, verdadeiros discursos de loucos. Dizíamos Kafka, poderíamos dizer da mesma forma o Homem dos lobos: uma máquina religiosa militar que Freud assimila à neurose obsessiva — uma máquina anal de matilha ou de devir-lobo, e também vespa ou borboleta que Freud assimila ao caráter histérico — um aparelho edipiano do qual Freud faz o único motor, o motor imóvel a ser encontrado em todo lugar — um aparelho contra-edipiano (o incesto com a irmã, incesto-esquizo, ou bem o encontro amoroso com as “pessoas de condição inferior”, ou bem a analidade, a homossexualidade?), todas estas coisas nas quais Freud vê só substitutos, regressões e derivados de Édipo. Na verdade, Freud nada vê e nada compreende. Ele não tem qualquer idéia do que seja um agenciamento libidinal com todas as maquinarias postas em jogo, todos os amores múltiplos.

 

É claro que existem enunciados edipianos. Pode-se ler assim, por exemplo, o conto de Kafka, Chacais e Árabes: é sempre possível, nada se arrisca, a coisa funciona sempre, mesmo que nada se compreenda. Os árabes são claramente referidos ao pai, os chacais à mãe: entre os dois, toda uma história de castração, representada pelas tesouras enferrujadas. Mas acontece que os árabes são uma massa organizada, armada, extensiva, espalhada em todo o deserto; e os chacais são uma matilha intensa que não pára de entranhar-se no deserto, seguindo linhas de fuga ou desterritorialização (“são loucos, verdadeiros loucos”); entre os dois, na borda, o Homem do Norte, o Homem dos chacais. E as grandes tesouras? Não se teria aqui o signo árabe, que guia ou libera as partículas-chacal, tanto para acelerar sua corrida louca, destacando-as da massa, quanto para reconduzi-las a esta massa, domá-las e chicoteá-las, fazê-las dar voltas? Aparelho edipiano da comida, o camelo morto; aparelho contra-edipiano da carniça: matar os animais para comer, ou comer para limpar as carniças. Os chacais colocam bem o problema: não é um problema de castração, mas de “limpeza”, a prova do deserto-desejo. Quem ganhará, a territorialidade de massa ou a desterritorialização de matilha, a libido banhando todo o deserto como corpo sem órgãos onde se passa o drama?

 

Não existe enunciado individual, nunca há. Todo enunciado é o produto de um agenciamento maquínico, quer dizer, de agentes coletivos de enunciação (por “agentes coletivos” não se deve entender povos ou sociedades, mas multiplicidades). Ora, o nome próprio não designa um indivíduo: ao contrário, quando o indivíduo se abre às multiplicidades que o atravessam de lado a lado, ao fim do mais severo exercício de despersonalização, é que ele adquire seu verdadeiro nome próprio. O nome próprio é a apreensão instantânea de uma multiplicidade. O nome próprio é o sujeito de um puro infinitivo compreendido como tal num campo de intensidade. O que Proust diz do prenome: pronunciando Gilberte, eu tinha a impressão de tê-la nua inteira em minha boca. O Homem dos lobos, verdadeiro nome próprio, íntimo prenome que remete aos devires, infinitivos, intensidades de um indivíduo despersonalizado e multiplicado. Mas o que a Psicanálise compreende da multiplicação? A hora do deserto, na qual o dromedário torna-se mil dromedários gargalhando no céu. A hora da tarde na qual mil buracos se abrem na superfície da terra. Castração, castração, grita o espantalho psicanalítico que nunca viu senão um buraco, um pai, um cão, lá onde existem lobos; que só viu um indivíduo domesticado lá onde existem multiplicidades selvagens. Não se reprova a Psicanálise só por ter selecionado enunciados edipianos, pois estes enunciados, numa certa medida, ainda fazem parte de um agenciamento maquínico em relação ao qual eles poderiam servir de índices a corrigir, como num cálculo de erros. Reprova-se a Psicanálise por ter se servido da enunciação edipiana para levar o paciente a acreditar que ele ia produzir enunciados pessoais, individuais, que ele ia finalmente falar em seu nome. Ora, tudo é uma armadilha desde o início: nunca o Homem dos lobos poderá falar. Ele pode falar o que quiser dos lobos, gritar como um lobo Freud nem escuta, olha seu cão e responde “é papai”. Enquanto isto dura, Freud diz que se trata de neurose, quando a coisa quebra, é psicose. O Homem dos lobos receberá a medalha psicanalítica por serviços prestados à causa, e até pensão alimentícia como as que se dá aos antigos combatentes mutilados. Não teria podido falar em seu nome a não ser que se houvesse posto às claras o agenciamento maquínico que produzia nele tais ou tais enunciados. Mas não se trata disto em Psicanálise: no mesmo momento em que se persuade o sujeito de que ele vai proferir seus enunciados mais individuais, retira-se-lhe toda condição de enunciação. Calar as pessoas, impedi-las de falar, e, sobretudo, quando elas falam, fazer de conta que não disseram nada: famosa neutralidade psicanalítica. O Homem dos lobos continua a gritar: seis ou sete lobos! Freud responde: o quê? Cabritinhos? Como é interessante, eu retiro os cabritos, sobra um lobo, é pois teu pai… Eis por que o Homem dos lobos sente-se tão cansado: ele permanece deitado com todos os seus lobos na garganta e todos os buraquinhos sobre seu nariz, todos estes valores libidinais sobre seu corpo sem órgãos. A guerra vai chegar, os lobos tornar-se-ão bolcheviques, o Homem permanece sufocado por tudo o que ele tinha a dizer. Anunciarão somente que ele voltou a ser bem-educado, polido, resignado, “honesto e escrupuloso”; numa palavra, curado. Ele se vinga, lembrando que a Psicanálise carece de uma visão verdadeiramente zoológica: “Nada pode ter mais valor para um jovem do que o amor pela natureza e a compreensão da ciências naturais, em particular da Zoologia.5

 

Notas

 

1 Freud, Métapsychologie, Gallimard, p. 153.

2 E. A. Bennet, Ce que Jung a vraiment dit, Stock, p. 80.

3 Ruth Mack Brunswick, “En supplément à l’Histoire d’une névrose infantile de Freud”, Revue Française de Psycbanalise, 1936, n” 04.

4 Elias Canetti, Masse et Puissance, Gallimard, pp. 27-29, 97 sq. Algumas das diferenças indicadas acima são assinaladas por Canetti.

5 Carta citada por Roland Jaccard, L ‘bomme aux loups, Ed. Universitaires, p. 113.

 

*Platô publicado em: DELEUZE, Gilles-GUATTARI, Félix. Mil Platôs – Capitalismo & Esquizofrenia. vol. 1. Trad. Aurélio Guerra Neto. Rio de Janeiro: Editora 34, 1995.

** Matilha-imagem de Dave Mckean  em: GAIMAN, Neil; MACKEAN, Dave. The Wolves in The Walls. USA: HapperCollins, 2003.

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